Escrevo no momento em que é transmitido na RTP1 o programa PRÓS E CONTRAS. O tema é "O REFERENDO DA DISCÓRDIA", ou seja, o referendo que virá a ser feito com a seguinte pergunta: "Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?".
Não me vou debruçar no processo em si ou no facto de a pergunta ser boa ou má (sobre isso, vide a opinião do Caminhante Solitário). Vou tratar apenas do tema ABORTO, explicando a opinião que acho mais acertada, sem me estender em demasia.
Em primeiro lugar, ninguém é a favor do aborto per si. Num mundo utópico, o aborto não seria necessário e ninguém pensaria, se quer, em recorrer a este "mecanismo" (falta-me melhor palavra). Porém, no mundo em que vivemos, a IVG é algo que não pode ser apagado, sendo exemplos de realidades em que tal não pode ser posto de parte as violações e os casos de mal formação do feto. A nossa lei fornece, hoje em dia, resposta a este problema.
No entanto, não podemos ser hipócritas nos restantes casos, já que o aborto não é feito apenas nos casos previstos na lei.
Por um lado, não vivemos numa ilha isolada do resto do mundo e qualquer pessoa de classe média pode fazer 250km até à fronteira e abortar de forma segura, numa clínica especializada para esse efeito.
Ao mesmo tempo, verifica-se outra realidade bem mais nefasta. As classes baixas, sem meios para utilizar a "solução" descrita em cima, optam por abortar em pseudo-clínicas, localizadas nos piores bairros das cidades, sem as mínimas condições de higiene, pondo em risco a sua própria vida. Será este um cenário que se deve prolongar?
Não me parece.
Não me vou debruçar no processo em si ou no facto de a pergunta ser boa ou má (sobre isso, vide a opinião do Caminhante Solitário). Vou tratar apenas do tema ABORTO, explicando a opinião que acho mais acertada, sem me estender em demasia.
Em primeiro lugar, ninguém é a favor do aborto per si. Num mundo utópico, o aborto não seria necessário e ninguém pensaria, se quer, em recorrer a este "mecanismo" (falta-me melhor palavra). Porém, no mundo em que vivemos, a IVG é algo que não pode ser apagado, sendo exemplos de realidades em que tal não pode ser posto de parte as violações e os casos de mal formação do feto. A nossa lei fornece, hoje em dia, resposta a este problema.
No entanto, não podemos ser hipócritas nos restantes casos, já que o aborto não é feito apenas nos casos previstos na lei.
Por um lado, não vivemos numa ilha isolada do resto do mundo e qualquer pessoa de classe média pode fazer 250km até à fronteira e abortar de forma segura, numa clínica especializada para esse efeito.
Ao mesmo tempo, verifica-se outra realidade bem mais nefasta. As classes baixas, sem meios para utilizar a "solução" descrita em cima, optam por abortar em pseudo-clínicas, localizadas nos piores bairros das cidades, sem as mínimas condições de higiene, pondo em risco a sua própria vida. Será este um cenário que se deve prolongar?
Não me parece.
2 comentários:
Off-topic: espero que possas comparecer no jantar. Aguardamos-te lá!
Depois de encontrar este post, não posso deixar de comentar.
O teu post parece-me escrito de forma bastante racional. De facto, nem sempre se recorre ao aborto porque o feto ou a mãe têm problemas. No entanto, para que nunca se precisasse recorrer a este procedimento (parece-me uma palavra ajustada), o planeamento familiar tinha de funcionar a 100% e de chegar a todos.
Claro, há casos de pura leviandade, ainda assim, não se deve castigar negando a possibilidade de fazer um aborto quem, depois de o fazer, ficará castigado psicologicamente para sempre, qualquer que tenha sido a razão pela qual interrompeu a gravidez.
Possibilitar a opção, em nada vai afectar quem defende ser contra. Se são contra, basta que nunca pratiquem um acto que vai contra os seus princípios. O que é pior: sentir-se ofendido por alguém poder terminar livremente uma gravidez ou, ignorar que muitos abortos são feitos às escondidas e que põe a vida das pessoas em risco? Longe da vista longe do coração? Falsos moralismos não, obrigada!
Paula
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