terça-feira, outubro 31, 2006

IVG

Escrevo no momento em que é transmitido na RTP1 o programa PRÓS E CONTRAS. O tema é "O REFERENDO DA DISCÓRDIA", ou seja, o referendo que virá a ser feito com a seguinte pergunta: "Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?".

Não me vou debruçar no processo em si ou no facto de a pergunta ser boa ou má (sobre isso, vide a opinião do Caminhante Solitário). Vou tratar apenas do tema ABORTO, explicando a opinião que acho mais acertada, sem me estender em demasia.

Em primeiro lugar, ninguém é a favor do aborto per si. Num mundo utópico, o aborto não seria necessário e ninguém pensaria, se quer, em recorrer a este "mecanismo" (falta-me melhor palavra). Porém, no mundo em que vivemos, a IVG é algo que não pode ser apagado, sendo exemplos de realidades em que tal não pode ser posto de parte as violações e os casos de mal formação do feto. A nossa lei fornece, hoje em dia, resposta a este problema.

No entanto, não podemos ser hipócritas nos restantes casos, já que o aborto não é feito apenas nos casos previstos na lei.

Por um lado, não vivemos numa ilha isolada do resto do mundo e qualquer pessoa de classe média pode fazer 250km até à fronteira e abortar de forma segura, numa clínica especializada para esse efeito.

Ao mesmo tempo, verifica-se outra realidade bem mais nefasta. As classes baixas, sem meios para utilizar a "solução" descrita em cima, optam por abortar em pseudo-clínicas, localizadas nos piores bairros das cidades, sem as mínimas condições de higiene, pondo em risco a sua própria vida. Será este um cenário que se deve prolongar?

Não me parece.

quinta-feira, outubro 26, 2006

Eureka!


Sinceramente, estes senhores começam a tornar-se ridículos de mais. Depois de conseguirem finalmente o referendo à IVG, pensar-se-ia que acabariam as lutas deste "partido". Necessitando de outros temas e como parece que o casamento homossexual ainda não reune consensos em Portugal, toca a inventar algo sobre a economia...

O raciocínio deve ter sido o seguinte:
1) BE precisa de fazer qualquer coisa;
2) BE decide pensar nos pensionistas;
3) BE considera que país é um dos países em que as empresas melhor estão, sendo extremamente competitivo no que diz respeito a cativar investimento estrangeiro;
4) As empresas são unidades capitalistas, propriedade das classes altas, classes essas que destroem a nossa sociedade como ninguém e que, por isso, devem acartar a sustentabilidade do sistema;

Assim, vamos criar mais um imposto (temos poucos) de forma a taxar os ricos. QUE INCENTIVO para a melhoria económica do país!

sexta-feira, outubro 20, 2006

6 meses

E ainda estás presente...

Previsão?

Cocaína dá à costa na Praia da Areia Branca.

Belo nome que a praia tem. Depois admiram-se...

sexta-feira, outubro 13, 2006

Desaperta o cinto!

Ministro da Economia anuncia fim da crise.

Nada de novo. Há uns anos atrás, um senhor fez o mesmo. Passado alguns meses, o Governo tinha caído.

domingo, outubro 08, 2006

Fenix verde

Queimaram a árvore. Não a conseguiam derrubar, queimaram-na. A árvore não morreu, nunca morre. Matam as folhas, não matam a árvore. É demasiado poderosa. Por muito fortes que sejam os ataques, por muito que seja o fogo, as raizes são profundas. Podem derruba-la, é certo; apesar de queimada, tal como uma fenix, ela erguer-se-á, mais uma vez (e outra, e outra, e outra...)...


...ainda mais forte.

sábado, outubro 07, 2006

Ridícula...

... a tarde da SIC. Um "fabuloso desfile", numa avenida lisboeta, com uma grande assistência, para comemorar o 14º aniversário da Sociedade Independente de Comunicação. Infelizmente, é este o nosso país.

Entretanto, um facto bem menos relevante. A Ministra da Cultura anunciou a candidatura (apenas uma formalidade, já que Portugal tem direito a escolher uma cidade com esse fim) de Guimarães a Capital Europeia da Cultura em 2012. Notícia interessante, mas será ela sinónimo de novas "derrapagens"?

segunda-feira, outubro 02, 2006

O modelo de financiamento das universidades

"(...) O modelo [de financiamento das universidades] em Portugal é ineficiente porque a exigência é muito baixa, ou seja, o sistema de ensino é complacente com os maus alunos que se arrastam durante anos nas nossas universidades. (...)
Quando olhamos para o modelo dos outros países, com regimes de propinas semelhantes aos de Portugal, não podemos ignorar o sistema de incentivos que acompanha este pacote. E nesses modelos os maus alunos ou são excluidos do sistema ou são penalizados financeiramente. Não há um Estado benevolente que assegure o direito a abusar do sistema de educação. O nosso actual modelo enferma de todos os vícios. (...)
Já que o Governo quer continuar uma política de propinas baixas, então terá que definir outros mecanismos de prevenção do insucesso escolar. Todos têm o direito de acesso à Universidade mas ninguém tem o direito de desperdiçar os recursos da Nação, os recursos de todos nós."
Fátima Barros, IN "Notas da Católica", Expresso 30/09/2006
Fátima Barros tem toda a razão. Será que esta realidade é assim tão dificil de aceitar?