segunda-feira, dezembro 21, 2009

Yehuda Amichai - O lugar em que temos razão

O lugar em que temos razão

Do lugar em que temos razão
jamais crescerão
flores na primavera.

O lugar em que temos razão
está pisoteado e duro
como um pátio.

Mas dúvidas e amores
escavam o mundo
como uma toupeira, como a lavradura.
E um sussurro será ouvido no lugar
onde houve uma casa
que foi destruída.

Yehuda Amichai, revista "Poesia Sempre", nº 8, Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, 1997


FONTE

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Nuno Moura - Dor que não Passa

Desço à rua com os olhos na boca
e a saliva nas mãos
para te carregar, já aqui.

Carrego-te em vergões, às costas,
em equilíbrio numa malha
do teu vestido.

Vens-me daí, de onde me sabes,
como te cheiro, num palco de rua,
numa cheia decidida.

És impossível, de interromper,
de cessar, antes eu,
já aqui, até que os meus olhos hão-de quebrar
e aí o costume de só deixares a capa
a embalar as tábuas.

Sei também que és por mim, que serei a erguer-te
no momento antes da tua morte, no último prego
mesmo com a mão, num canto,
já aqui.

Apeteces-me tanto.

Sabes, é bom ver-te, mas olha, é melhor ter-te,
mesmo quando mandas chover e dás tempo de morrer à hora.
Mesmo quando grito para não voltar a ouvir a tua subida silenciosa.

Apeteces-me daí.

Sabes, sabes bem, um apetece de vai-vem,
o melhor da terra virada,
um rasto, uma teima para o mar toda voltada.

Apeteces-me já aqui.

Espero que me desças.

de Soluções do problema anterior, &etc.

quarta-feira, setembro 02, 2009

Ler os outros - V

Um fabuloso texto sobre o meu treinador de há muitos anos e sobre o Benfica. Fantástico. A versão completa encontra-se na Tertúlia Benfiquista.


"(...) O Glorioso recebe o Vitória de Setúbal na Luz. Joga que se farta, marca o primeiro e carrega. Marca o segundo e carrega. O Benfica marca o terceiro, o quarto, o quinto e carrega. Os jogadores têm fome de bola, pedem-na aos colegas, jogam para a frente, com garra e confiança. Cheiram sangue e correm atrás da presa. Querem mais. O Aimar dança elegantemente dentro de campo. A equipa dá espectáculo enquanto estraçalha o adversário. Olho à minha volta e os sorrisos que vejo estampados nas caras dos adeptos mostram que o Benfica voltou a casa.

Chega o intervalo e Jorge Jesus pede aos jogadores para jogarem como se estivesse 0-0. Quer mais golos, quer a mesma agressividade, irreverência, espectáculo. Não chega – nunca chega. Não é suficiente estar assegurada a vitória, não fará sentido gerir o jogo, não será melhor evitar esforços? Não, não e não! Jesus quer, como nós, mais. Aguce-se o killer instinct, afine-se a máquina, sirva-se espectáculo a quem o veio ver.

Os jogadores fazem-lhe(-nos) a vontade e continuam a jogar como se não houvesse amanhã. Sem medo, sem amarras, sem perdão. O Benfica marca o sexto, o sétimo, o oitavo e carrega. Os ataques sucedem-se. Falha-se mais meia dúzia de golos. O Ramires corre como um louco, o Saviola parece que tem 14 anos, o Di Maria está possuído, o Fábio Coentrão também. O estádio festeja, as bancadas pairam entre cada jogada. A chama arde. Aproximam-se os 90 minutos e Jorge Jesus vocifera, esbraceja, exige que os jogadores vão a todas as bolas como se fossem a primeira. Quer o nono golo. Ah, que se lixe, quer o décimo. Também nós.

Chega o fim do jogo e irrito-me profundamente (perguntem ao D’Arcy e ao Pedro F. Ferreira) com o assomo de laxismo que resulta no golo sofrido. Descubro, um pouco mais tarde, que o Jorge Jesus ficou tão irritado quanto eu. E percebo que temos o treinador que sempre quis.

A vitória, enquanto mero exercício matemático de adição de pontos numa competição, vale o que vale. São três pontos, como o seriam numa vitória por 1-0. Ah, mas o diálogo que teve lugar naquele relvado entre o Benfica e a sua alma vale mais – muito, muito mais.

Vale, acima de tudo, o reencontro do Benfica com a sua identidade. Com a sua matriz ideológica. E eu, vendo no relvado materializar-se tudo aquilo que defendi e escrevi, emocionei-me - claro que me emocionei.

Vamos ganhar jogos e jogar maravilhosamente, vamos ganhar jogos e jogar mal, vamos inevitavelmente empatar ou perder jogos. Mas esta atitude, esta fome, esta filosofia como motor molda a equipa, formata-a para ser temida e para ser temível, evita-lhe o retraimento, exercita-lhe o instinto assassino, afia-lhe as garras, afina-lhe os movimentos ofensivos, dá-lhe estofo e prepara-a para tudo o que aí vem.

Fernando Santos era benfiquista no papel, mas faltava-lhe a águia na alma. Arrisco-me a dizer que Jorge Jesus, não tendo sido benfiquista de facto (até agora), sempre teve a águia na alma, mas não o sabia. E, nessa medida, é o treinador mais profundamente benfiquista (no que isso significa em irreverência, destemor, determinação e ousadia) que temos desde há muito.

Caro Fernando Santos, ganham-se jogos por tantos golos quantos quisermos, se formos audazes e soubermos abraçar o destino. Eu sempre o soube. O Jorge Jesus também."

sábado, julho 04, 2009

sexta-feira, junho 05, 2009

O fim (ou algo parecido)

Sejamos sérios. Este blogue não interessa ao menino Jesus (blasfémias!). Um dia vou criar uma coisa como deve ser que, pelo menos, tenha um nome decente. Depois, digo qualquer coisa. Este projecto está terminado.

EDIT: É possível que este blogue continue com as etiquetas Na Rádio, Ponto de Leitura e Poemas. Exclusivos meus não aparecerão.

domingo, abril 26, 2009

Californication - II

Hank: I know tonight... kind of got a little ruined.
Becca: It's okay. I'm used to it.
Hank: Yeah, well, I'll make it up to you, I swear.
Becca: I know.
Hank: Do you?
Becca: Sure. You never mean to let me down. But you do.
Hank: Yeah, I guess I do.
Becca: You know, it's all well and good to talk about happy endings. But if a person can't deliver, if he keeps screwing up, well, eventually, I guess you kind of just have to say, "fuck you," or words to that effect.

Californication S01E07 - Girls, Interrupted

Californication - I

Girl: that stuff will kill you.
Hank: Life will kill you. That's heavy. It will make sense.

(...)

Hank: You happy?
Karen: What?
Hank: It's a simple question. Are you happy?
Karen: I don't even know what that means anymore.

(...)

Hank: If I can make you laugh like that, why can't we be together? That's what I don't understand.
Karen: You know what? You don't want to be with me. You think --I know you think you do. But if I were to give myself to you, you would run for the hills, 'cause you're notin love with me, Hank. You're in love with the idea --the idea of love. Now, on that brave, profound note, I'm gonna go and get some coffee.
Hank: How you can be so fucking beautiful and so fucking wrong?

Californication S01E106 - Absinthe Makes The Heart Grow Fonder

sábado, abril 25, 2009

25 de Abril

"Uma geração que sequestre e aprisione o futuro das gerações seguintes nega e renega a liberdade. Não é digna nem está à altura da liberdade que as mulheres e os homens de Abril quiseram fundar."

"Não se cumprirá o 25 de Abril, não haverá nunca liberdade, se uma geração, no gozo máximo dos seus pretensos direitos, inviabilizar a liberdade de decidir das gerações futura."


Paulo Rangel, na AR

segunda-feira, março 09, 2009

No Rádio - X

Rádio, leitor de MP3's, etc... Os Pontos Negros - Magnífico Material Inútil... os singles, o EP, o CD.. enfim... fortíssimo.