Domingo, Outubro 25, 2009

Ler os Outros - VI

Há uma coisa que me causa um bocadinho de irritação (mas quem me dera que todas as irritações da minha vida fossem como essa!).


Irrita-me um bocadinho que pessoas inteligentes, com bom gosto e letradas façam depender a sua análise estética da obra de Saramago das suas considerações relativas à pessoa Saramago e ao discurso político que este emite fora dos seus livros.


Uma análise estética de uma obra de arte deve ser separada do ser humano que realizou essa obra, bem como das suas opiniões, por exemplo, políticas. De facto, uma crítica de arte só tem a ganhar se for independente das opiniões (e, mesmo até, das interpretações) do próprio artista sobre a sua arte.

Quarta-feira, Setembro 02, 2009

Ler os outros - V

Um fabuloso texto sobre o meu treinador de há muitos anos e sobre o Benfica. Fantástico. A versão completa encontra-se na Tertúlia Benfiquista.


"(...) O Glorioso recebe o Vitória de Setúbal na Luz. Joga que se farta, marca o primeiro e carrega. Marca o segundo e carrega. O Benfica marca o terceiro, o quarto, o quinto e carrega. Os jogadores têm fome de bola, pedem-na aos colegas, jogam para a frente, com garra e confiança. Cheiram sangue e correm atrás da presa. Querem mais. O Aimar dança elegantemente dentro de campo. A equipa dá espectáculo enquanto estraçalha o adversário. Olho à minha volta e os sorrisos que vejo estampados nas caras dos adeptos mostram que o Benfica voltou a casa.

Chega o intervalo e Jorge Jesus pede aos jogadores para jogarem como se estivesse 0-0. Quer mais golos, quer a mesma agressividade, irreverência, espectáculo. Não chega – nunca chega. Não é suficiente estar assegurada a vitória, não fará sentido gerir o jogo, não será melhor evitar esforços? Não, não e não! Jesus quer, como nós, mais. Aguce-se o killer instinct, afine-se a máquina, sirva-se espectáculo a quem o veio ver.

Os jogadores fazem-lhe(-nos) a vontade e continuam a jogar como se não houvesse amanhã. Sem medo, sem amarras, sem perdão. O Benfica marca o sexto, o sétimo, o oitavo e carrega. Os ataques sucedem-se. Falha-se mais meia dúzia de golos. O Ramires corre como um louco, o Saviola parece que tem 14 anos, o Di Maria está possuído, o Fábio Coentrão também. O estádio festeja, as bancadas pairam entre cada jogada. A chama arde. Aproximam-se os 90 minutos e Jorge Jesus vocifera, esbraceja, exige que os jogadores vão a todas as bolas como se fossem a primeira. Quer o nono golo. Ah, que se lixe, quer o décimo. Também nós.

Chega o fim do jogo e irrito-me profundamente (perguntem ao D’Arcy e ao Pedro F. Ferreira) com o assomo de laxismo que resulta no golo sofrido. Descubro, um pouco mais tarde, que o Jorge Jesus ficou tão irritado quanto eu. E percebo que temos o treinador que sempre quis.

A vitória, enquanto mero exercício matemático de adição de pontos numa competição, vale o que vale. São três pontos, como o seriam numa vitória por 1-0. Ah, mas o diálogo que teve lugar naquele relvado entre o Benfica e a sua alma vale mais – muito, muito mais.

Vale, acima de tudo, o reencontro do Benfica com a sua identidade. Com a sua matriz ideológica. E eu, vendo no relvado materializar-se tudo aquilo que defendi e escrevi, emocionei-me - claro que me emocionei.

Vamos ganhar jogos e jogar maravilhosamente, vamos ganhar jogos e jogar mal, vamos inevitavelmente empatar ou perder jogos. Mas esta atitude, esta fome, esta filosofia como motor molda a equipa, formata-a para ser temida e para ser temível, evita-lhe o retraimento, exercita-lhe o instinto assassino, afia-lhe as garras, afina-lhe os movimentos ofensivos, dá-lhe estofo e prepara-a para tudo o que aí vem.

Fernando Santos era benfiquista no papel, mas faltava-lhe a águia na alma. Arrisco-me a dizer que Jorge Jesus, não tendo sido benfiquista de facto (até agora), sempre teve a águia na alma, mas não o sabia. E, nessa medida, é o treinador mais profundamente benfiquista (no que isso significa em irreverência, destemor, determinação e ousadia) que temos desde há muito.

Caro Fernando Santos, ganham-se jogos por tantos golos quantos quisermos, se formos audazes e soubermos abraçar o destino. Eu sempre o soube. O Jorge Jesus também."

Sábado, Julho 04, 2009

No Rádio - XI

Oquestrada - Oxalá te Veja

Sexta-feira, Junho 05, 2009

O fim (ou algo parecido)

Sejamos sérios. Este blogue não interessa ao menino Jesus (blasfémias!). Um dia vou criar uma coisa como deve ser que, pelo menos, tenha um nome decente. Depois, digo qualquer coisa. Este projecto está terminado.

EDIT: É possível que este blogue continue com as etiquetas Na Rádio, Ponto de Leitura e Poemas. Exclusivos meus não aparecerão.

Domingo, Abril 26, 2009

Californication - II

Hank: I know tonight... kind of got a little ruined.
Becca: It's okay. I'm used to it.
Hank: Yeah, well, I'll make it up to you, I swear.
Becca: I know.
Hank: Do you?
Becca: Sure. You never mean to let me down. But you do.
Hank: Yeah, I guess I do.
Becca: You know, it's all well and good to talk about happy endings. But if a person can't deliver, if he keeps screwing up, well, eventually, I guess you kind of just have to say, "fuck you," or words to that effect.

Californication S01E07 - Girls, Interrupted

Californication - I

Girl: that stuff will kill you.
Hank: Life will kill you. That's heavy. It will make sense.

(...)

Hank: You happy?
Karen: What?
Hank: It's a simple question. Are you happy?
Karen: I don't even know what that means anymore.

(...)

Hank: If I can make you laugh like that, why can't we be together? That's what I don't understand.
Karen: You know what? You don't want to be with me. You think --I know you think you do. But if I were to give myself to you, you would run for the hills, 'cause you're notin love with me, Hank. You're in love with the idea --the idea of love. Now, on that brave, profound note, I'm gonna go and get some coffee.
Hank: How you can be so fucking beautiful and so fucking wrong?

Californication S01E106 - Absinthe Makes The Heart Grow Fonder

Sábado, Abril 25, 2009

25 de Abril

"Uma geração que sequestre e aprisione o futuro das gerações seguintes nega e renega a liberdade. Não é digna nem está à altura da liberdade que as mulheres e os homens de Abril quiseram fundar."

"Não se cumprirá o 25 de Abril, não haverá nunca liberdade, se uma geração, no gozo máximo dos seus pretensos direitos, inviabilizar a liberdade de decidir das gerações futura."


Paulo Rangel, na AR

Segunda-feira, Março 09, 2009

No Rádio - X

Rádio, leitor de MP3's, etc... Os Pontos Negros - Magnífico Material Inútil... os singles, o EP, o CD.. enfim... fortíssimo.

Quarta-feira, Novembro 19, 2008

No Rádio - IX

Nneka - Heartbeat

No Rádio - VIII

Alicia Keys and Jack White - Another way to die

No Rádio - VII

Movimentos Perpétuos - Música para Carlos Paredes - Sam The Kid - Viva!

Quarta-feira, Novembro 12, 2008

No Rádio - VI

Adblock
Borboleta - Foge Foge Bandido


Manuel Cruz - Borboleta
e eu largar eu sinto a sua falta

se eu agarro ela perde a côr
ela não é dos meus dedos
é dos meus medos
e faço-me passar por uma flor
tento imaginar o que ela diz
à espera de aprender

à face da rua existe a rua
mas não é tua à margem da estrada não há nada
mas já te agrada
tu és o teu mundo
tu és o teu fundo
tu és o teu poço
és o teu pior almoço
és a pulga na balança
és a mãe dessa criança
és o mal
és o bem
és o dia que não vem

agora pára de fazer sentido
não vês que assim estás a pisar fora da estrada
vê se agora páras de fazer sentido
não vês que nada nos dirá mais do que nos diz NADA

vê que o meu coração ainda salta
quer e julga ser capaz
não o faça por meus medos
faça nos dedos
e eu fico para ver o que ele faz
sem imaginar o que eu não fiz
à espera de viver

à face da chama existe a fama
mas não te ama à margem do nada não há estrada
já não te agrada
tu és o teu preço
és a tua glória
tu és o teu medo
és a parte má da história
vê que o sol ainda brilha
ainda tem por onde arder
não é mau
não é bom
são razões para viver

agora pára de fazer sentido
não vês que assim estás a pisar fora da estrada
vê se agora páras de fazer sentido
não vês que nada nos dirá mais do que nos diz NADA

se eu largar
eu vou sentir a sua falta

tu és tu sempre que tu és
és mesmo tu quando pensas que és outra coisa
e tu pensas que não mas tu és mesmo bom a ser sempre quem és

daí o teu motivo ser inapagável
daí o teu desejo ser incontornável
o prazer é tão maleável
daí o seu valor ser inestimável

a razão de existir um poeta é

Terça-feira, Julho 22, 2008

João Vieira Pinto

Terminou a carreira um dos jogadores portugueses mais brilhantes de sempre. Obrigado por tudo menino de ouro.

Quarta-feira, Junho 11, 2008

Ler os outros - IV

Um golo português


"São 39 os jogadores que neste Europeu representam países em que não nasceram. Em vários desses casos a imigração deu-se com o futebol e há muita gente, incluindo, em Portugal que contesta a identidade destas selecções. Nada mais errado. Não só este é um fenómeno natural como promove, no geral, uma identidade mais saudável. Depois de marcar o seu golo Pepe afirmou que sempre tinha querido representar Portugal e que esta era apenas mais uma forma de agradecer a forma como tinha sido recebido pelos portugueses. Haverá identidade mais genuína e saudável que aquela que é desejada? É estranho para mim que algumas pessoas não coloquem em causa a identidade portuguesa de jogadores provenientes de países que colonizávamos (vejam a selecção de 66) mas questionem a identidade dos que livremente se sentem portugueses. Por mim, prefiro viver com quem quer viver comigo e não com quem a isso está obrigado A verdadeira e saudável identidade não existe no sangue nem se adquire onde se nasce: constrói-se, em relação com os outros através da adesão a uma comunidade. É uma identidade que não nos é dada nem oferecida mas que conquistamos. Só essa identidade é crítica e reflexiva e, como tal, positiva. Uma identidade que se abre e se define pela inclusividade e não pela exclusividade. Com os novos portugueses sem dúvida que mudará também a nossa identidade mas uma identidade estática não é factor de coesão mas sim uma prisão. Resistir a esta forma de identidade aberta é igualmente ignorar o futuro. Para sobreviver a Europa, e Portugal em particular, necessitarão no futuro de milhões de imigrantes: eu prefiro que eles venham a ser portugueses. O que importa apenas é garantir que a sua identidade seja voluntária e genuína. Quem tem dúvidas disso depois de ver Pepe correr e sorrir daquela forma? Obrigado Pepe por quereres ser português."

Domingo, Abril 13, 2008

Ler os outros - III

IMORAL E IMPOLÍTICO
Por BOS

"Já ando para escrever sobre o Acordo Ortográfico há algum tempo. Os leitores perdoam-me a falta de oportunidade. Parece-me uma das batalhas que importa travar e vencer na blogosfera. Antes de mais, esclareço a minha posição: sou contra.
A questão das consoantes mudas, só por si, dá vários tratados. A eliminação do hífen, outros tantos. O acordo estabelece que não se usará hífen em palavras com prefixo terminado em vogal e o segundo elemento começado por 'r' ou 's'. Acaba assim com os anti-semitas. De ora em diante, só antissemitas. Nelson Rodrigues, o extraordinário dramaturgo e polemista brasileiro, recorria amiúde nas suas crónicas à expressão "um sol de rachar catedrais". Pois aquele «SS» central em antissemitas é de rachar sinagogas.
O assunto merece mais do que um postal, mas para já deixo aqui as duas principais razões do meu protesto:
1. O Estado não tem nada que se meter onde não é chamado. Que vá peneirar os tiques totalitários para outros domínios. Um idioma não se impõe por decreto. Fernando Pessoa, por exemplo, marimbou-se de alto para a Reforma Ortográfica de 1911 e continuou a grafar como havia aprendido. Sobre a reforma republicana, escreveu: «Além do impatriotismo, foi o acto imoral e impolítico».
O Inglês é a língua franca do mundo inteiro, mas nenhum Parlamento pretendeu até hoje "unir" e "harmonizar" as ortografias do Reino Unido e dos Estados Unidos, que são diferentes.

2. A diferença entre o Português de Portugal e o do Brasil é menos ortográfica do que lexical. Para além das naturais variações de pronúncia, prosódia e morfossintaxe. Há autocarro, em Portugal, e ônibus, no Brasil; comboio e trem; eléctrico e bonde; boleia e carona; talho e açougue; pequeno-almoço e café da manhã; casa de banho e banheiro; relvado e gramado; guarda-redes e goleiro; matraquilhos e pimbolim; telemóvel e celular; e um larguíssimo etc."

Segunda-feira, Dezembro 31, 2007

Ler os outros - II

O tempo que temos
Por Pedro Rolo Duarte

"É talvez a frase mais irritante dos tempos modernos: «não tenho tempo para nada». Ouvimo-la diariamente, até à exaustão, parece um eco absurdo que se passeia pelos nossos dias como uma daquelas moscas moles de Verão. Toda a gente diz que não tem tempo, toda a gente se desculpa com a falta de tempo, o tempo escasseia mais do que a vida. O tempo é uma merda, em resumo. Ou a falta dele. Ou o jeito que nos dá a desculpa do tempo.
São três da manhã e estou a começar agora a escrever. Atrasado. Sem tempo. «Não tenho tempo para nada». Não tenho? Quem disse que não tenho? Por que estou agora a começar a escrever e não, como era suposto, a acabar de escrever? Porque me faltou o tempo?
Observo o dia que passou, o tempo «que gastei». Trabalhei, comprei um candeeiro, almocei uma sanduíche, bebi um chá e conversei com uma amiga ao fim do dia, tive um jantar em casa da Adriana, fui ver o pátio forrado a azulejos da Maria João e voltei para casa. Não tive tempo para nada? Não, tive tempo para o que quis, organizei e distribui o tempo em função dos meus interesses, da minha vontade e, vá lá, no limite, de um inesperado final de dia. Houve um momento inesperado, é verdade, mas eu aceitei-o. Não foi falta de tempo – foi outro tempo, foi o meu modo de organizar o tempo. Ninguém tem nada com isso – mas eu não tenho o direito de dizer que me faltou o tempo.
O tempo é a desculpa dos tempos modernos – falta-nos tempo para os amigos, para a família, para aquele projecto que ficou na gaveta, para organizar as fotografias, «para nós», para ler, para escrever, para telefonar, para comer, para sair, para entrar, para ver, para estudar. O que nos falta de tempo sobra-nos onde? Em quê?
É absurda a ideia, é irritante a desculpa. Nós temos, como na novela, «todo o tempo do mundo» - o problema é pequeno e simples: gastamo-lo com o que mais queremos ou precisamos, e naturalmente que não nos sobra mais para aquilo que efectivamente dispensamos mas não temos coragem para assumir que deixamos de lado.
Incomoda-me a eterna escusa do tempo por ser injusta para com o bem mais precioso da nossa vida. O tempo não para de passar, nem se cansa de andar à nossa volta, e é um conceito nobre e uma palavra bela. O tempo inspira os poetas, os escritores, sobre ele há ensaios e imagens, o tempo domina e é dominado, tem o poder de avançar sem pedir licença e jamais recuar. O tempo não volta para trás, como a canção pedia.
Como se pode usar um bem desta natureza para desculpar as opções que tomamos? Se são três da manhã e me falta tempo para escrever, isso deve-se ao tempo que decidi tomar para uma palavra, um beijo, um abraço, ou apenas um olhar pausado numa montra. Eu não «o perdi» - eu ganho-o no momento em que corro ao seu lado, que o uso, que me aproveito dele para o meu prazer, a minha felicidade, ou apenas o corrente uso diário. Um «compasso de espera» pode ser a solução, um olhar prolongado pode ser o futuro, um abraço longo pode ser a saída. O tempo é extraordinário – isto quer dizer que, por não ser ordinário, não deve ser usado como argumento para as nossas faltas, ausências, falhas.
Passa das quatro da manhã e eu não dei o meu tempo por perdido. Ganhei o meu tempo usando-o como bem entendi, provavelmente melhor do que saberia julgar – o tempo o dirá. Escrevi 33 vezes a palavra tempo em menos de uma página de jornal. A relevância que ele tem é o número de vezes que perdi tempo (34...) a escrever o seu nome. É um nome belo, intenso e vivo. Não quero perder mais tempo (35...) com ele, mas gostava que soubessem que não me importo de o perder: é o melhor que tenho para dar. Numa palavra, num sorriso, num beijo. Ou numa crónica de jornal. Há tempo para tudo, até para o perdermos a pensar no que faríamos com ele se o tivéssemos de sobra."

Quinta-feira, Novembro 15, 2007

Da Weasel @ Pavilhao Atlantico

Eu estive lá. Foi genial.

Quarta-feira, Novembro 07, 2007

No Rádio - V

Bruce Springsteen - Radio Nowhere
I was tryin' to find my way home
But all I heard was a drone
Bouncing off a satellite
Crushin' the last lone American night

This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
This is radio nowhere, is there anybody alive out there?

I was spinnin' 'round a dead dial
Just another lost number in a file
Dancin' down a dark hole
Just searchin' for a world with some soul

This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
Is there anybody alive out there?

I just want to hear some rhythm
I just want to hear some rhythm
I just want to hear some rhythm
I just want to hear some rhythm

I want a thousand guitars
I want pounding drums
I want a million different voices speaking in tongues

This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
Is there anybody alive out there?

[Instrumental]

I was driving through the misty rain
Yeah searchin' for a mystery train
Boppin' through the wild blue
Tryin' to make a connection with you

This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
Is there anybody alive out there?

I just want to feel some rhythm
I just want to feel some rhythm
I just want to feel your rhythm
I just want to feel your rhythm
I just want to feel your rhythm
I just want to feel your rhythm
I just want to feel your rhythm
I just want to feel your rhythm

Terça-feira, Setembro 04, 2007

"Fora da lei" - Rui Santos e o Direito

O seguinte texto foi enviado para o Provedor dos Leitores do jornal "Record", sendo relativo à crónica de Rui Santos no mesmo jornal de dia 3 de Setembro de 2007.

"Rui Santos, com a sua vasta experiência na área do jornalismo desportivo, fornece-nos diariamente interessantes crónicas sobre “o mundo da bola”. Porém, na passada 2ª feira, afastou-se da sua área de saber, “opinando” sobre domínios dos quais aparenta muito pouco conhecer.

Na sua crónica com o título “Fora da lei”, o autor disserta sobre as “cláusulas de rescisão” e seu valor jurídico, qualificando-as como uma “falácia sem qualquer sustentação legal” no nosso país e no resto da Europa (com excepção de Espanha).

Ao contrário do que o jornalista alega, tal não obsta a que caso sejam inseridas num contrato tenham valor jurídico. Como qualquer cláusula contratual (desde que dentro dos limites da lei), as “cláusulas de rescisão” gozam de eficácia jurídica. A sustentação legal que Rui Santos considera não existir, encontra-se, pura e simplesmente, no princípio mais importante do Direito Privado: o princípio da autonomia privada. Depois de acordadas, funcionam, de facto, como imperativo jurídico para as partes contraentes, afastando-se (e muito!) da ideia vinculada pelo autor de “sofisma ou artifício dialéctico para tentar condicionar a saída dos jogadores”.

Assim sendo, esta “espécie de entendimento entre as partes” vincula, não podendo o dirigente, ao contrário do que Rui Santos afirma, esquivar-se no último momento por sua exclusiva vontade. Não deixa de ser verdade a seguinte afirmação: “quando são accionadas é porque se entende que o negócio é bom para todas as partes”; porém, deve ter-se em conta que ao definir um valor (o da cláusula de rescisão), o clube “vendedor” já definiu um preço para a venda, a qual considera constituir (no presente e enquanto o contrato vigorar) um bom negócio pelo valor determinado. A partir desse momento, caso haja vontade do jogador para sair e um clube disponível a depositar o preço, já nada poderá o primeiro clube fazer. Tenha-se em conta que tudo o que foi dito não proíbe a venda por um valor inferior ao da “cláusula de rescisão”, dependo esta situação apenas da vontade do clube vendedor.

E o “caso Quaresma”? Neste ponto, Rui Santos acerta. De facto, é a astúcia de Pinto da Costa que permite manter o jogador no FC Porto. Porém, nada tem esta situação a ver com a temática das “cláusulas de rescisão”: a vontade do jogador é sempre determinante e por muitos clubes que estejam dispostos a pagar o valor imposto pela cláusula, esta só terá verdadeira relevância caso o jogador pretenda sair.

Tendo o autor da crónica limitado a sua escrita à relação Quaresma - PC, não haveria razão para esta carta; ao apelidar de mentira as “cláusulas de rescisão”, reduzindo-as a mecanismo para enganar os adeptos do desporto-rei, Rui Santos erra desmesuradamente, entrando em áreas que desconhece, o que é profundamente lamentável."

Terça-feira, Agosto 21, 2007

Benfica - novo preparador físico

Com o regresso de Camacho ao Benfica, regressa igualmente o preparador físico Fernando Gaspar. As lesões musculares têm sido um constante problema do Benfica nos últimos anos, o mesmo se podendo dizer da "frescura física" dos jogadores em grande parte das partidas disputadas. Resolve-se assim mais um dos sérios problemas do Benfica.

Segunda-feira, Agosto 20, 2007

Camacho, o salvador?

F. Santos foi "finalmente" despedido. Depois de uma época fraca, não sobravam razões para a sua continuidade; contudo, não foi essa a opção dos dirigentes encarnados (F. Santos parecia ser uma aposta pessoal de J. Veiga, ainda com importância na hierarquia benfiquista). Depois da saída de Veiga, Santos deixou de estar blindado.

Depois de mais uma pré-época fraca (e muito mal planeada, diga-se), de um péssimo jogo com a vitória à justa na pré-eliminatória da Liga dos Campeões e um empate com uma exibição paupérrima na primeira jornada da Liga, Santos caiu. Se tivesse alguma dignidade, teria saído antes, pelo seu próprio pé, depois das faltas de apoio e total falta de poder no controlo da equipa (casos Simão e Manuel Fernandes, "melhor plantel dos últimos 10 anos", escolha de reforços, etc...).

De facto, há muito que LFV dava sinais de que este não era o seu treinador; depois da pré-época feita, com a época planeada e já depois do início de campeonato, o presidente benfiquista despediu o engenheiro. Qual o sentido deste acto tão tardio? Não se estará a hipotecar o resto do campeonato (isto se houvesse alguma hipótese de o SLB fazer algo esta época), não dando ao novo treinador um plantel escolhido por si, que não terá tempo para assimilar os novos métodos deste? Só o desespero explica este acto de LFV, mas tudo indica que a troca de treinador já era um desejo do presidente benfiquista há bastante tempo. Sendo assim, não se percebe a demora... A não ser que as saídas de M. Fernandes e Simão fossem inevitáveis e não se pretendesse que o novo treinador sofresse, desde logo, esses contratempos...

E Camacho? Será uma boa escolha? A grande maioria da massa associativa benfiquista venera Camacho, já que foi este o treinador que, pela primeira vez em muitos anos, deixou o Benfica a jogar futebol. A escassez de títulos (tenho ideia que ganhou apenas uma Taça) ganhos pelo técnico no Benfica é justificável pela altura em que chegou ao Benfica, na qual se davam os primeiros passos de uma reestruturação que permitiram que o clube chegasse ao título, no ano seguinte à sua saída.

Camacho volta agora e não chega em altura fácil, apesar de chegar a um Benfica com mais condições do que da primeira vez que chegou (poder financeiro, um novo estádio, um centro de estágio...). O plantel não foi escolhido pelo novo treinador, que não conhece grande parte dos jogadores. Ainda assim, nesta altura parece ser a escolha acertada. De facto, é um homem que já conhece a família benfiquista e este ponto parece ser o mais importante. Não é qualquer treinador que entra facilmente no Benfica (Koeman, por exemplo, nunca pareceu compreender o que era o Benfica) e Camacho não terá certamente esse problema. Ao mesmo tempo, tem uma óptima relação com LFV, o que lhe permitirá ter uma grande margem de manobra. Além do mais, é um treinador que sabe trabalhar com jovens, o que permitirá que o Benfica consiga construir uma equipa forte, com algumas das jovens estrelas que contratou (Coentrão, Di Maria, Adu).

Será tudo isto suficiente? É Camacho a solução para o Benfica 2007/2008? Poderá ele salvar o Benfica de mais um terceiro lugar e, mesmo, ganhar algum troféu esta época? Só o tempo o dirá, mas fácil não será. Pense-se ainda que o treinador não era o único problema do Benfica (apesar de ser um dos seus principais problemas). A actuação de LFV, desde que assumiu o comando do futebol benfiquista, tem sido lamentável a vários níveis e é claramente necessário "novo sangue" para essas funções. Fala-se, de momento, de um dirigente espanhol, que já desempenhou essas funções em vários clubes espanhóis, destacando-se o Valência... Um estrangeiro não me parece a melhor opção, mas é preciso realmente alguém que o faça... ainda assim, quanto a esta situação, nada há a mais que rumores...

Quarta-feira, Agosto 15, 2007

Battle at Kruger

Segunda-feira, Agosto 13, 2007

"The only excuse for making a useless thing is that one admires it intensely"

Sexta-feira, Julho 20, 2007

No rádio - IV

Orishas - Hay Un Son

Terça-feira, Julho 03, 2007

Ler os outros - I

"Mais humor "jornalístico"...

Segundo a última edição do jornal "Avante", assim se passou a demissão de Blair:

"(...) Mas tudo terminou ontem quando, perante o gáudio das nações britânicas, ele foi a Buckingham Palace humilhar-se perante Isabel II, dizendo-lhe: «O meu Partido já não me quer. Correu comigo, alteza. Chame outro para governar (...)".

O facto de ter sido o único primeiro-ministro inglês a deixar o parlamento sobre uma ovação de pé é um detalhe. "Camaradas", nunca deixem que a realidade vos estrague uma boa história."

Quarta-feira, Junho 13, 2007

No rádio - III

Silence 4 - Breeders
"I'm a growing seed in a haystack
I give it a splash of green
It's not the sun
It's not the water
It's not the sun
It's not the water
There's something more to make me live

And I breed and I can't feel but
drop sap tears when I'm cut off

I'm a living gnat
mating and flying
we're two but seem one
like a siamese kind of thing
Or if I was propped in to a mirror

And I may not even feel but I drop blood tears,
I stole from beings

Cos' I'm only here for reproduction so that my coded information is passed
on and on and on and I can have a glimpse at immortality"

Sábado, Junho 09, 2007

Sonho de uma noite de Verão

Trocámos olhares. Trocamos olhares. As coisas correm bem, as coisas correm mal, mas isso não interessa nada. Trocámos olhares. Através dos olhos, conhece-se uma pessoa e nós trocámos olhares. Nada mais interessa. A vida reduz-se a uma troca de olhares: nasce-se e morre-se num ínfimo momento.

Desbloqueadores de resposta* - I

Direito Comunitário
"O primado é uma exigência existencial do Direito da União" (P. Pescatore).

* Quando não se sabe o que responder numa pergunta de um exame, frases destas resultam sempre.

Quarta-feira, Junho 06, 2007

Câmara de Lisboa - eleições

Depois do Lisboa Gate, estamos à porta de eleições para a presidência da câmara de Lisboa. Os candidatos são muitos e é sempre possível fazer pior do que já foi feito. Ainda assim, haja esperança.

António Costa (PS) - peso pesado, grande aposta do PS, o ex ministro do Governo em funções (há que sair antes que comecem a surgir problemas com a presidência da UE), vem para a Câmara sem qualquer programa político delineado, excepto tudo o que diga respeito ao apoio incondicional ao Aeroporto da Ota (será apenas uma questão nacional?). Provavelmente, o próximo presidente da câmara de Lisboa.
Fernando Negrão (PSD) - Fernando quê? Para ganhar Lisboa, o PSD precisava de alguém que pudesse apelar às massas, alguém com nome, alguém que daqui a meio ano "ganhasse" o estatuto de arguído (essa obsessão nacional). A opção por alguém minimamente sério, é de longe, uma má opção.
Telmo Correia (CDS-PP) - eterna sombra de Paulo Portas e o único político português que conseguiu perder um congresso com Ribeiro e Castro, ex líder do CDS-PP que, pelo que me foi dito, nem as eleições para delegado de turma conseguiu ganhar.
Ruben de Carvalho (CDU) - Ao que parece, este senhor já lá anda... alguém sabe qual foi o seu contributo?
José Sá Fernandes (Bloco de Esquerda) - "O Zé faz falta". Será que faz mesmo falta para a "gente de Lisboa"? O senhor "anule-se", AKA "providência cautelar", responsável pelo atraso de todas as obras e deliberações que possam fazer-se na cidade, candidata-se mais uma vez. Todos os lisboetas automobilizados (enfim, todos os lisboetas, já que o Túnel do Marquês foi apenas mais um capricho do Zé) têm o dever de lhe estar agradecidos por 1 ano adicional de filas de trânsito.
Helena Roseta (independente) - inspirada provavelmente pela sensacional (?) campanha de Manuel Alegre para as presidenciais (é óptimo escritor, mas não passa disso), surge alguém com vontade de tomar o lugar de "Pateta Alegre". A febre dos independentes ataca em força e parece que quem é deixado para segundo plano no PS, necessita de se afirmar, indo a votos. Tendo mais do que 5% dos votos, é de esperar que seja criado algum tipo de Movimento, de forma a potenciar os esplendores da democracia participativa.

São ainda candidatos o sempre eterno Garcia Pereira (MRPP), o senhor "Estados Gerais da Direita" Manuel Monteiro (PND), o democrata José Pinto-Coelho (PNR) e a "TVI star" Gonçalo da Câmara Pereira (PPM).

É do cansaço...

... se calhar é do cansaço...

Começo a ficar fartinho dos exames... Praia?

Quinta-feira, Abril 12, 2007

Benfica - balanço de uma época

A época "acabou" para o Benfica. Depois do duplo empate no campeonato que retira todas as hipóteses (excepto as matemáticas) do SLB ganhar algo a nível interno e da cruel (mas, em grande parte, e apesar de algum azar, merecida) eliminação da Taça UEFA face ao Espanhol de Barcelona, os encarnados entram na fase final da época sem lutar por nada de digno. Há ainda o chamado "campeonato da 2ª circular", mas esse o Benfica tem toda a obrigação de o ganhar, de forma a ter acesso directo à Liga dos Campeões... mesmo isso parece difícil para uma equipa que se apresenta física e psicologicamente destroçada.

Faz-se aqui um balanço da época:
- nunca vi o SLB a jogar em casa como o fez esta época... é necessário corrigir o que se passa fora de portas, mas em casa somos fantásticos (o jogo de hoje terá sido excepção). Fizemos alguns jogos fantásticos e perdemos apenas uma única vez (contra o Man. Utd). Até à data, três empates, dois para o campeonato ( Boavista e Porto, tendo contra os primeiros feito o melhor jogo da época). Saldo francamente positivo: a Luz passou novamente a ser um Inferno para todos os visitantes.
- no que diz respeito às deslocações, o cenário é totalmente oposto. O Benfica jogou muito mal fora de casa, tendo feito apenas um grande jogo fora: o de Leiria.
- nas competições europeias, o Benfica teve uma participação negativa na Liga dos Campeões, tendo conseguído apenas o terceiro lugar num grupo acessível. Na Taça Uefa, foi eliminado pelo Espanhol, nos quartos de final. Não é mau, mas as meias finais deviam ter sido alcançadas, principalmente quando o adversário que nos eliminou era bastante mais fraco.

O treinador foi por muitos apontado como o grande responsável pelos desaires das águias. Ao contrário do que possam pensar, não sou o maior fã do F. Santos... parece-me um péssimo treinador no que diz respeito à relação com o balneário. Algumas das suas escolhas para o 11 inicial também me irritam bastante, mas, no que diz respeito às substituições, concordo, na maioria das vezes, com ele. Problema gravíssimo é não confiar no restante plantel do Benfica (veja-se o caso Mantorras)... Ao mesmo tempo, não tenho dúvidas que a acção do Engenheiro (será que o é?) foi bastante condicionada pelo "caso Simão", pelas lesões do Rui Costa e pela suspensão do Nuno Assis.

Deverá mudar-se? Há melhor em Portugal? Sem ser o Mourinho, não me parece... Quanto muito, o Jorge Jesus, mas nunca treinou um clube a sério... Voltar a um estrangeiro? Trapattoni só há um. Camacho não volta com o Veiga por cá (e o Veiga vai voltar...)... Erikson tem mais que fazer. Alguém menos conhecido? Coloca-se ainda o problema do período de adaptação...

Então, o que fazer? O engenheiro fica ou não? Sinceramente, não sei. Por um lado, acho que o SLB precisa de mudar... há demasiadas coisas que não funcionam bem; contudo, tenho extremo receio que essa mudança seja para pior... Acho que seria extremamente importante saber o que pensam os jogadores mais influentes (Luisão, Simão, Rui Costa, Petit) para se decidir... Caso a equipa esteja com o "mister", defendo que o treinador continue a ser o mesmo; caso a relação entre a equipa e o treinador não seja a melhor, é necessária uma mudança...

Culpa para a má época é também de quem construiu a equipa (Veiga, Vieira e F. Santos), já que não há alternativas credíveis ao 11 base. A saída do Alcides foi bastante prejudicial... o rapaz era muito mau, mas ao menos colocava algumas dificuldades ao Nélson (que é, neste momento, o jogador que eu mais odeio no plantel do SLB, rivalizando com o Anderson + relação amor/ódio N. Gomes).

Foi esta a época do Benfica. Faltam ainda 6 jornadas para o fim do campeonato. São 18 pontos que o Benfica deve fazer todos os possíveis para conseguir alcançar...

PS - de qualquer forma, precisamos de um melhor plantel... temos o melhor 11 dos últimos 10 anos, mas faltam alternativas. Precisamos igualmente de um departamento médico e de preparadores físicos mais competentes... Mete dó ver a forma como aqueles rapazes correm... Em Inglaterra, com jogos de 3 em 3 dias durante toda a época, seria bonito de se ver...

Sábado, Março 24, 2007

A Lei - II

Artigo 82.º da LOFTJ
Competência relativa a menores e filhos maiores

1 - Compete igualmente aos Tribunais de família:
l) Decidir, em caso de desacordo dos pais, sobre o nome e apelidos do menor.

Sábado, Fevereiro 10, 2007

A Lei - I

Art. 89/4 do DL 202/2004, de 18 de Agosto, com as alterações introduzidas pelo DL 201/2005, de 24 de Novembro:

"É proibido caçar nos dias em que se realizem eleições ou referendos nacionais e, ainda, quando se realizem eleições ou referendos locais na área das respectivas autarquias."

Há coisas fantásticas, não há?

Domingo, Janeiro 28, 2007

Gato Fedorento - Big Brother dos Grandes Portugueses

Genial!

Terça-feira, Janeiro 23, 2007

Teoria da Escolha Pública

«In the past many economists have argued that the way to rein in "market failures" such as monopolies is to introduce government action. But public choice economists point out that there also is such a thing as "government failure." That is, there are reasons why government intervention does not achieve the desired effect.» por Jane S. Shaw

«"We do it just for you!", per Ronald McDonald
Well, not really. Politicians do not devote their lives for your and my benefits anymore than McDonalds does. Strangely, however, many people think so -- including university professors that teach politics and philosophy. The most important contribution of Public Choice Theoryis that it recognizes that politicians are motivated by self interest -- just like you and me. In fact, more so than you and me! If that is so, and it is, then our expectations of politicians changes dramatically.» por Leon Felkins

Engraçado, não?