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domingo, janeiro 31, 2010

No Rádio - XIV

Ornatos Violeta - Ouvi Dizer

Ouvi dizer que o nosso amor acabou.
Pois eu não tive a noção do seu fim!
Pelo que eu já tentei,
Eu não vou vê-lo em mim:
Se eu não tive a noção de ver nascer um homem.
E ao que eu vejo,
Tudo foi para ti
Uma estúpida canção que só eu ouvi!
E eu fiquei com tanto para dar!
E agora
Não vais achar nada bem
Que eu pague a conta em raiva!
E pudesse eu pagar de outra forma!
Ouvi dizer que o mundo acaba amanhã,
E eu tinha tantos planos para depois!
Fui eu quem virou as páginas
Na pressa de chegar até nós;
Sem tirar das palavras seu cruel sentido!
Sobre a razão estar cega:
Resta-me apenas uma razão,
Um dia vais ser tu
E um homem como tu;
Como eu não fui;
Um dia vou-te ouvir dizer:
E pudesse eu pagar de outra forma!
Sei que um dia vais dizer:
E pudesse eu pagar de outra forma!
A cidade está deserta,
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte:
Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas.
Em todo o lado essa palavra
Repetida ao expoente da loucura!
Ora amarga! ora doce!
Para nos lembrar que o amor é uma doença,
Quando nele julgamos ver a nossa cura!

quarta-feira, janeiro 27, 2010

No Rádio - XIII

John Mayer - Who Says | New Album 'Battle Studies' |

Who says I can’t get stoned?
Turn off the lights and the telephone
Me and my house alone
Who says I can’t get stoned?

Who says I can’t be free?
From all of the things that I used to be
Re-write my history
Who says I can’t be free?

It’s been a long night in New York City
It’s been a long night in Baton Rouge
I don’t remember you looking any better
But then again I don’t remember you

Who says I can’t get stoned?
Call up a girl that I used to know
Fake love for an hour or so
Who says I can’t get stoned?

Who says I can’t take time?
Meet all the girls on the county line
Then wait on fate to send a sign
Who says I can’t take time?

It’s been a long night in New York City
It’s been a long night in Austin too
I don’t remember you looking any better
But then again I don’t remember you

Who says I can’t get stoned?
Plan a trip to Japan alone
Doesn’t matter if I even go
Who says I can’t get stoned?

It’s been a long night in New York City
It’s been a long time since 20 too
I don’t remember you looking any better
But then again I don’t remember you

sábado, janeiro 09, 2010

Na Rádio - XII




When the rain
Is blowing in your face
And the whole world
Is on your case
I could offer you
A warm embrace
To make you feel my love

When the evening shadows
And the stars appear
And there is no one there
To dry your tears
I could hold you
For a million years
To make you feel my love

I know you
Haven't made
Your mind up yet
But I would never
Do you wrong
I've known it
From the moment
That we met
No doubt in my mind
Where you belong

I'd go hungry
I'd go black and blue
I'd go crawling
Down the avenue
No, there's nothing
That I wouldn't do
To make you feel my love

The storms are raging
On the rolling sea
And on the highway of regret
Though winds of change
Are throwing wild and free
You ain't seen nothing
Like me yet

I could make you happy
Make your dreams come true
Nothing that I wouldn't do
Go to the ends
Of the Earth for you
To make you feel my love

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Yehuda Amichai - O lugar em que temos razão

O lugar em que temos razão

Do lugar em que temos razão
jamais crescerão
flores na primavera.

O lugar em que temos razão
está pisoteado e duro
como um pátio.

Mas dúvidas e amores
escavam o mundo
como uma toupeira, como a lavradura.
E um sussurro será ouvido no lugar
onde houve uma casa
que foi destruída.

Yehuda Amichai, revista "Poesia Sempre", nº 8, Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, 1997


FONTE

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Nuno Moura - Dor que não Passa

Desço à rua com os olhos na boca
e a saliva nas mãos
para te carregar, já aqui.

Carrego-te em vergões, às costas,
em equilíbrio numa malha
do teu vestido.

Vens-me daí, de onde me sabes,
como te cheiro, num palco de rua,
numa cheia decidida.

És impossível, de interromper,
de cessar, antes eu,
já aqui, até que os meus olhos hão-de quebrar
e aí o costume de só deixares a capa
a embalar as tábuas.

Sei também que és por mim, que serei a erguer-te
no momento antes da tua morte, no último prego
mesmo com a mão, num canto,
já aqui.

Apeteces-me tanto.

Sabes, é bom ver-te, mas olha, é melhor ter-te,
mesmo quando mandas chover e dás tempo de morrer à hora.
Mesmo quando grito para não voltar a ouvir a tua subida silenciosa.

Apeteces-me daí.

Sabes, sabes bem, um apetece de vai-vem,
o melhor da terra virada,
um rasto, uma teima para o mar toda voltada.

Apeteces-me já aqui.

Espero que me desças.

de Soluções do problema anterior, &etc.

sábado, julho 04, 2009

domingo, abril 26, 2009

Californication - II

Hank: I know tonight... kind of got a little ruined.
Becca: It's okay. I'm used to it.
Hank: Yeah, well, I'll make it up to you, I swear.
Becca: I know.
Hank: Do you?
Becca: Sure. You never mean to let me down. But you do.
Hank: Yeah, I guess I do.
Becca: You know, it's all well and good to talk about happy endings. But if a person can't deliver, if he keeps screwing up, well, eventually, I guess you kind of just have to say, "fuck you," or words to that effect.

Californication S01E07 - Girls, Interrupted

Californication - I

Girl: that stuff will kill you.
Hank: Life will kill you. That's heavy. It will make sense.

(...)

Hank: You happy?
Karen: What?
Hank: It's a simple question. Are you happy?
Karen: I don't even know what that means anymore.

(...)

Hank: If I can make you laugh like that, why can't we be together? That's what I don't understand.
Karen: You know what? You don't want to be with me. You think --I know you think you do. But if I were to give myself to you, you would run for the hills, 'cause you're notin love with me, Hank. You're in love with the idea --the idea of love. Now, on that brave, profound note, I'm gonna go and get some coffee.
Hank: How you can be so fucking beautiful and so fucking wrong?

Californication S01E106 - Absinthe Makes The Heart Grow Fonder

segunda-feira, março 09, 2009

No Rádio - X

Rádio, leitor de MP3's, etc... Os Pontos Negros - Magnífico Material Inútil... os singles, o EP, o CD.. enfim... fortíssimo.

quarta-feira, novembro 19, 2008

No Rádio - IX

Nneka - Heartbeat

No Rádio - VIII

Alicia Keys and Jack White - Another way to die

No Rádio - VII

Movimentos Perpétuos - Música para Carlos Paredes - Sam The Kid - Viva!

quarta-feira, novembro 12, 2008

No Rádio - VI

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Borboleta - Foge Foge Bandido


Manuel Cruz - Borboleta
e eu largar eu sinto a sua falta

se eu agarro ela perde a côr
ela não é dos meus dedos
é dos meus medos
e faço-me passar por uma flor
tento imaginar o que ela diz
à espera de aprender

à face da rua existe a rua
mas não é tua à margem da estrada não há nada
mas já te agrada
tu és o teu mundo
tu és o teu fundo
tu és o teu poço
és o teu pior almoço
és a pulga na balança
és a mãe dessa criança
és o mal
és o bem
és o dia que não vem

agora pára de fazer sentido
não vês que assim estás a pisar fora da estrada
vê se agora páras de fazer sentido
não vês que nada nos dirá mais do que nos diz NADA

vê que o meu coração ainda salta
quer e julga ser capaz
não o faça por meus medos
faça nos dedos
e eu fico para ver o que ele faz
sem imaginar o que eu não fiz
à espera de viver

à face da chama existe a fama
mas não te ama à margem do nada não há estrada
já não te agrada
tu és o teu preço
és a tua glória
tu és o teu medo
és a parte má da história
vê que o sol ainda brilha
ainda tem por onde arder
não é mau
não é bom
são razões para viver

agora pára de fazer sentido
não vês que assim estás a pisar fora da estrada
vê se agora páras de fazer sentido
não vês que nada nos dirá mais do que nos diz NADA

se eu largar
eu vou sentir a sua falta

tu és tu sempre que tu és
és mesmo tu quando pensas que és outra coisa
e tu pensas que não mas tu és mesmo bom a ser sempre quem és

daí o teu motivo ser inapagável
daí o teu desejo ser incontornável
o prazer é tão maleável
daí o seu valor ser inestimável

a razão de existir um poeta é

domingo, abril 13, 2008

Ler os outros - III

IMORAL E IMPOLÍTICO
Por BOS

"Já ando para escrever sobre o Acordo Ortográfico há algum tempo. Os leitores perdoam-me a falta de oportunidade. Parece-me uma das batalhas que importa travar e vencer na blogosfera. Antes de mais, esclareço a minha posição: sou contra.
A questão das consoantes mudas, só por si, dá vários tratados. A eliminação do hífen, outros tantos. O acordo estabelece que não se usará hífen em palavras com prefixo terminado em vogal e o segundo elemento começado por 'r' ou 's'. Acaba assim com os anti-semitas. De ora em diante, só antissemitas. Nelson Rodrigues, o extraordinário dramaturgo e polemista brasileiro, recorria amiúde nas suas crónicas à expressão "um sol de rachar catedrais". Pois aquele «SS» central em antissemitas é de rachar sinagogas.
O assunto merece mais do que um postal, mas para já deixo aqui as duas principais razões do meu protesto:
1. O Estado não tem nada que se meter onde não é chamado. Que vá peneirar os tiques totalitários para outros domínios. Um idioma não se impõe por decreto. Fernando Pessoa, por exemplo, marimbou-se de alto para a Reforma Ortográfica de 1911 e continuou a grafar como havia aprendido. Sobre a reforma republicana, escreveu: «Além do impatriotismo, foi o acto imoral e impolítico».
O Inglês é a língua franca do mundo inteiro, mas nenhum Parlamento pretendeu até hoje "unir" e "harmonizar" as ortografias do Reino Unido e dos Estados Unidos, que são diferentes.

2. A diferença entre o Português de Portugal e o do Brasil é menos ortográfica do que lexical. Para além das naturais variações de pronúncia, prosódia e morfossintaxe. Há autocarro, em Portugal, e ônibus, no Brasil; comboio e trem; eléctrico e bonde; boleia e carona; talho e açougue; pequeno-almoço e café da manhã; casa de banho e banheiro; relvado e gramado; guarda-redes e goleiro; matraquilhos e pimbolim; telemóvel e celular; e um larguíssimo etc."

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Ler os outros - II

O tempo que temos
Por Pedro Rolo Duarte

"É talvez a frase mais irritante dos tempos modernos: «não tenho tempo para nada». Ouvimo-la diariamente, até à exaustão, parece um eco absurdo que se passeia pelos nossos dias como uma daquelas moscas moles de Verão. Toda a gente diz que não tem tempo, toda a gente se desculpa com a falta de tempo, o tempo escasseia mais do que a vida. O tempo é uma merda, em resumo. Ou a falta dele. Ou o jeito que nos dá a desculpa do tempo.
São três da manhã e estou a começar agora a escrever. Atrasado. Sem tempo. «Não tenho tempo para nada». Não tenho? Quem disse que não tenho? Por que estou agora a começar a escrever e não, como era suposto, a acabar de escrever? Porque me faltou o tempo?
Observo o dia que passou, o tempo «que gastei». Trabalhei, comprei um candeeiro, almocei uma sanduíche, bebi um chá e conversei com uma amiga ao fim do dia, tive um jantar em casa da Adriana, fui ver o pátio forrado a azulejos da Maria João e voltei para casa. Não tive tempo para nada? Não, tive tempo para o que quis, organizei e distribui o tempo em função dos meus interesses, da minha vontade e, vá lá, no limite, de um inesperado final de dia. Houve um momento inesperado, é verdade, mas eu aceitei-o. Não foi falta de tempo – foi outro tempo, foi o meu modo de organizar o tempo. Ninguém tem nada com isso – mas eu não tenho o direito de dizer que me faltou o tempo.
O tempo é a desculpa dos tempos modernos – falta-nos tempo para os amigos, para a família, para aquele projecto que ficou na gaveta, para organizar as fotografias, «para nós», para ler, para escrever, para telefonar, para comer, para sair, para entrar, para ver, para estudar. O que nos falta de tempo sobra-nos onde? Em quê?
É absurda a ideia, é irritante a desculpa. Nós temos, como na novela, «todo o tempo do mundo» - o problema é pequeno e simples: gastamo-lo com o que mais queremos ou precisamos, e naturalmente que não nos sobra mais para aquilo que efectivamente dispensamos mas não temos coragem para assumir que deixamos de lado.
Incomoda-me a eterna escusa do tempo por ser injusta para com o bem mais precioso da nossa vida. O tempo não para de passar, nem se cansa de andar à nossa volta, e é um conceito nobre e uma palavra bela. O tempo inspira os poetas, os escritores, sobre ele há ensaios e imagens, o tempo domina e é dominado, tem o poder de avançar sem pedir licença e jamais recuar. O tempo não volta para trás, como a canção pedia.
Como se pode usar um bem desta natureza para desculpar as opções que tomamos? Se são três da manhã e me falta tempo para escrever, isso deve-se ao tempo que decidi tomar para uma palavra, um beijo, um abraço, ou apenas um olhar pausado numa montra. Eu não «o perdi» - eu ganho-o no momento em que corro ao seu lado, que o uso, que me aproveito dele para o meu prazer, a minha felicidade, ou apenas o corrente uso diário. Um «compasso de espera» pode ser a solução, um olhar prolongado pode ser o futuro, um abraço longo pode ser a saída. O tempo é extraordinário – isto quer dizer que, por não ser ordinário, não deve ser usado como argumento para as nossas faltas, ausências, falhas.
Passa das quatro da manhã e eu não dei o meu tempo por perdido. Ganhei o meu tempo usando-o como bem entendi, provavelmente melhor do que saberia julgar – o tempo o dirá. Escrevi 33 vezes a palavra tempo em menos de uma página de jornal. A relevância que ele tem é o número de vezes que perdi tempo (34...) a escrever o seu nome. É um nome belo, intenso e vivo. Não quero perder mais tempo (35...) com ele, mas gostava que soubessem que não me importo de o perder: é o melhor que tenho para dar. Numa palavra, num sorriso, num beijo. Ou numa crónica de jornal. Há tempo para tudo, até para o perdermos a pensar no que faríamos com ele se o tivéssemos de sobra."

quinta-feira, novembro 15, 2007

quarta-feira, novembro 07, 2007

No Rádio - V

Bruce Springsteen - Radio Nowhere
I was tryin' to find my way home
But all I heard was a drone
Bouncing off a satellite
Crushin' the last lone American night

This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
This is radio nowhere, is there anybody alive out there?

I was spinnin' 'round a dead dial
Just another lost number in a file
Dancin' down a dark hole
Just searchin' for a world with some soul

This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
Is there anybody alive out there?

I just want to hear some rhythm
I just want to hear some rhythm
I just want to hear some rhythm
I just want to hear some rhythm

I want a thousand guitars
I want pounding drums
I want a million different voices speaking in tongues

This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
Is there anybody alive out there?

[Instrumental]

I was driving through the misty rain
Yeah searchin' for a mystery train
Boppin' through the wild blue
Tryin' to make a connection with you

This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
Is there anybody alive out there?

I just want to feel some rhythm
I just want to feel some rhythm
I just want to feel your rhythm
I just want to feel your rhythm
I just want to feel your rhythm
I just want to feel your rhythm
I just want to feel your rhythm
I just want to feel your rhythm

sexta-feira, julho 20, 2007

quarta-feira, junho 13, 2007

No rádio - III

Silence 4 - Breeders
"I'm a growing seed in a haystack
I give it a splash of green
It's not the sun
It's not the water
It's not the sun
It's not the water
There's something more to make me live

And I breed and I can't feel but
drop sap tears when I'm cut off

I'm a living gnat
mating and flying
we're two but seem one
like a siamese kind of thing
Or if I was propped in to a mirror

And I may not even feel but I drop blood tears,
I stole from beings

Cos' I'm only here for reproduction so that my coded information is passed
on and on and on and I can have a glimpse at immortality"