sexta-feira, dezembro 18, 2009
Nuno Moura - Dor que não Passa
e a saliva nas mãos
para te carregar, já aqui.
Carrego-te em vergões, às costas,
em equilíbrio numa malha
do teu vestido.
Vens-me daí, de onde me sabes,
como te cheiro, num palco de rua,
numa cheia decidida.
És impossível, de interromper,
de cessar, antes eu,
já aqui, até que os meus olhos hão-de quebrar
e aí o costume de só deixares a capa
a embalar as tábuas.
Sei também que és por mim, que serei a erguer-te
no momento antes da tua morte, no último prego
mesmo com a mão, num canto,
já aqui.
Apeteces-me tanto.
Sabes, é bom ver-te, mas olha, é melhor ter-te,
mesmo quando mandas chover e dás tempo de morrer à hora.
Mesmo quando grito para não voltar a ouvir a tua subida silenciosa.
Apeteces-me daí.
Sabes, sabes bem, um apetece de vai-vem,
o melhor da terra virada,
um rasto, uma teima para o mar toda voltada.
Apeteces-me já aqui.
Espero que me desças.
de Soluções do problema anterior, &etc.
domingo, outubro 25, 2009
quarta-feira, setembro 02, 2009
Ler os outros - V
sábado, julho 04, 2009
sexta-feira, junho 05, 2009
O fim (ou algo parecido)
EDIT: É possível que este blogue continue com as etiquetas Na Rádio, Ponto de Leitura e Poemas. Exclusivos meus não aparecerão.
domingo, abril 26, 2009
Californication - II
Becca: It's okay. I'm used to it.
Hank: Yeah, well, I'll make it up to you, I swear.
Becca: I know.
Hank: Do you?
Becca: Sure. You never mean to let me down. But you do.
Hank: Yeah, I guess I do.
Becca: You know, it's all well and good to talk about happy endings. But if a person can't deliver, if he keeps screwing up, well, eventually, I guess you kind of just have to say, "fuck you," or words to that effect.
Californication S01E07 - Girls, Interrupted
Californication - I
Hank: Life will kill you. That's heavy. It will make sense.
(...)
Hank: You happy?
Karen: What?
Hank: It's a simple question. Are you happy?
Karen: I don't even know what that means anymore.
(...)
Hank: If I can make you laugh like that, why can't we be together? That's what I don't understand.
Karen: You know what? You don't want to be with me. You think --I know you think you do. But if I were to give myself to you, you would run for the hills, 'cause you're notin love with me, Hank. You're in love with the idea --the idea of love. Now, on that brave, profound note, I'm gonna go and get some coffee.
Hank: How you can be so fucking beautiful and so fucking wrong?
Californication S01E106 - Absinthe Makes The Heart Grow Fonder
sábado, abril 25, 2009
25 de Abril
"Não se cumprirá o 25 de Abril, não haverá nunca liberdade, se uma geração, no gozo máximo dos seus pretensos direitos, inviabilizar a liberdade de decidir das gerações futura."
Paulo Rangel, na AR
segunda-feira, março 09, 2009
No Rádio - X
quarta-feira, novembro 19, 2008
quarta-feira, novembro 12, 2008
No Rádio - VI
Manuel Cruz - Borboleta
e eu largar eu sinto a sua falta
se eu agarro ela perde a côr
ela não é dos meus dedos
é dos meus medos
e faço-me passar por uma flor
tento imaginar o que ela diz
à espera de aprender
à face da rua existe a rua
mas não é tua à margem da estrada não há nada
mas já te agrada
tu és o teu mundo
tu és o teu fundo
tu és o teu poço
és o teu pior almoço
és a pulga na balança
és a mãe dessa criança
és o mal
és o bem
és o dia que não vem
agora pára de fazer sentido
não vês que assim estás a pisar fora da estrada
vê se agora páras de fazer sentido
não vês que nada nos dirá mais do que nos diz NADA
vê que o meu coração ainda salta
quer e julga ser capaz
não o faça por meus medos
faça nos dedos
e eu fico para ver o que ele faz
sem imaginar o que eu não fiz
à espera de viver
à face da chama existe a fama
mas não te ama à margem do nada não há estrada
já não te agrada
tu és o teu preço
és a tua glória
tu és o teu medo
és a parte má da história
vê que o sol ainda brilha
ainda tem por onde arder
não é mau
não é bom
são razões para viver
agora pára de fazer sentido
não vês que assim estás a pisar fora da estrada
vê se agora páras de fazer sentido
não vês que nada nos dirá mais do que nos diz NADA
se eu largar
eu vou sentir a sua falta
tu és tu sempre que tu és
és mesmo tu quando pensas que és outra coisa
e tu pensas que não mas tu és mesmo bom a ser sempre quem és
daí o teu motivo ser inapagável
daí o teu desejo ser incontornável
o prazer é tão maleável
daí o seu valor ser inestimável
a razão de existir um poeta é
terça-feira, julho 22, 2008
João Vieira Pinto
quarta-feira, junho 11, 2008
Ler os outros - IV
or Miguel Poiares Maduro
domingo, abril 13, 2008
Ler os outros - III
Por BOS
"Já ando para escrever sobre o Acordo Ortográfico há algum tempo. Os leitores perdoam-me a falta de oportunidade. Parece-me uma das batalhas que importa travar e vencer na blogosfera. Antes de mais, esclareço a minha posição: sou contra.
A questão das consoantes mudas, só por si, dá vários tratados. A eliminação do hífen, outros tantos. O acordo estabelece que não se usará hífen em palavras com prefixo terminado em vogal e o segundo elemento começado por 'r' ou 's'. Acaba assim com os anti-semitas. De ora em diante, só antissemitas. Nelson Rodrigues, o extraordinário dramaturgo e polemista brasileiro, recorria amiúde nas suas crónicas à expressão "um sol de rachar catedrais". Pois aquele «SS» central em antissemitas é de rachar sinagogas.
O assunto merece mais do que um postal, mas para já deixo aqui as duas principais razões do meu protesto:
1. O Estado não tem nada que se meter onde não é chamado. Que vá peneirar os tiques totalitários para outros domínios. Um idioma não se impõe por decreto. Fernando Pessoa, por exemplo, marimbou-se de alto para a Reforma Ortográfica de 1911 e continuou a grafar como havia aprendido. Sobre a reforma republicana, escreveu: «Além do impatriotismo, foi o acto imoral e impolítico».
O Inglês é a língua franca do mundo inteiro, mas nenhum Parlamento pretendeu até hoje "unir" e "harmonizar" as ortografias do Reino Unido e dos Estados Unidos, que são diferentes.
2. A diferença entre o Português de Portugal e o do Brasil é menos ortográfica do que lexical. Para além das naturais variações de pronúncia, prosódia e morfossintaxe. Há autocarro, em Portugal, e ônibus, no Brasil; comboio e trem; eléctrico e bonde; boleia e carona; talho e açougue; pequeno-almoço e café da manhã; casa de banho e banheiro; relvado e gramado; guarda-redes e goleiro; matraquilhos e pimbolim; telemóvel e celular; e um larguíssimo etc."
segunda-feira, dezembro 31, 2007
Ler os outros - II
Por Pedro Rolo Duarte
"É talvez a frase mais irritante dos tempos modernos: «não tenho tempo para nada». Ouvimo-la diariamente, até à exaustão, parece um eco absurdo que se passeia pelos nossos dias como uma daquelas moscas moles de Verão. Toda a gente diz que não tem tempo, toda a gente se desculpa com a falta de tempo, o tempo escasseia mais do que a vida. O tempo é uma merda, em resumo. Ou a falta dele. Ou o jeito que nos dá a desculpa do tempo.
quinta-feira, novembro 15, 2007
quarta-feira, novembro 07, 2007
No Rádio - V
I was tryin' to find my way home
But all I heard was a drone
Bouncing off a satellite
Crushin' the last lone American night
This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
I was spinnin' 'round a dead dial
Just another lost number in a file
Dancin' down a dark hole
Just searchin' for a world with some soul
This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
Is there anybody alive out there?
I just want to hear some rhythm
I just want to hear some rhythm
I just want to hear some rhythm
I just want to hear some rhythm
I want a thousand guitars
I want pounding drums
I want a million different voices speaking in tongues
This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
Is there anybody alive out there?
[Instrumental]
I was driving through the misty rain
Yeah searchin' for a mystery train
Boppin' through the wild blue
Tryin' to make a connection with you
This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
Is there anybody alive out there?
I just want to feel some rhythm
I just want to feel some rhythm
I just want to feel your rhythm
I just want to feel your rhythm
I just want to feel your rhythm
I just want to feel your rhythm
I just want to feel your rhythm
I just want to feel your rhythm
terça-feira, setembro 04, 2007
"Fora da lei" - Rui Santos e o Direito
O seguinte texto foi enviado para o Provedor dos Leitores do jornal "Record", sendo relativo à crónica de Rui Santos no mesmo jornal de dia 3 de Setembro de 2007.
"Rui Santos, com a sua vasta experiência na área do jornalismo desportivo, fornece-nos diariamente interessantes crónicas sobre “o mundo da bola”. Porém, na passada 2ª feira, afastou-se da sua área de saber, “opinando” sobre domínios dos quais aparenta muito pouco conhecer.
Na sua crónica com o título “Fora da lei”, o autor disserta sobre as “cláusulas de rescisão” e seu valor jurídico, qualificando-as como uma “falácia sem qualquer sustentação legal” no nosso país e no resto da Europa (com excepção de Espanha).
Ao contrário do que o jornalista alega, tal não obsta a que caso sejam inseridas num contrato tenham valor jurídico. Como qualquer cláusula contratual (desde que dentro dos limites da lei), as “cláusulas de rescisão” gozam de eficácia jurídica. A sustentação legal que
Assim sendo, esta “espécie de entendimento entre as partes” vincula, não podendo o dirigente, ao contrário do que
E o “caso Quaresma”? Neste ponto,
Tendo o autor da crónica limitado a sua escrita à relação Quaresma - PC, não haveria razão para esta carta; ao apelidar de mentira as “cláusulas de rescisão”, reduzindo-as a mecanismo para enganar os adeptos do desporto-rei,